Além de ter lançado alguns dos grandes nomes do boxe brasileiro - como Kaled Curi, Ralf Zumbano e Éder Jofre -, Jacó Nahun conseguiu um intercâmbio com os dirigentes do Luna Park, o maior ginásio de boxe da América do Sul, com o que centenas de boxeadores argentinos vieram lutar no Pacaembu e, posteriormente, no Ginásio do Ibirapuera. Isso foi uma excelente escola que contribuiu decisivamente para o amadurecimento do boxe brasileiro.
Outro acontecimento marcante foi a campanha que a União Pugilística do Brasil ( uma espécie de sindicato, congregando treinadores e boxeadores profissionais ) e os Diários e Emissoras Associados ( a maior rede brasileira de comunicações da época ) desenvolveram entre 54 e 55. O resultado foi a criação de mais de trinta centros de prática de boxe em empresas, indústrias, quartéis, sindicatos, etc.
Como consequência disso tudo, na época, acabamos tendo tantos bons boxeadores que fica até difícil se destacar alguns deles sem corrermos risco de fazer injustiça. Por razões de espaço, apontaremos apenas quatro pugilistas os quais se não forem unanimidade certamente estarão em qualquer lista de "os mais importantes da época":
- Kaled Curi, o "Beduíno"
peso galo dotado de fortíssima esquerda; frequentemente lutava com adversários de várias categorias acima, sendo que travou muitas lutas verdadeiramente antológicas; como amador, chegou a campeão latino-americano e como profissional foi campeão brasileiro; podia ter ido além se não se envolvesse tanto com questões administrativas das federações e com a promoção de lutas; após parar de lutar, dedicou-se a empresariar boxeadores e promover eventos de boxe profissional.- Ralph Zumbano, o "Bailarino"
peso leve de pouca "pegada" mas estilo, esquiva, técnica e jogo de pernas elogiadas até internacionalmente; teve carreira curta como lutador, passando a treinador de sucesso.
Como amador, seu ponto alto foram suas vitórias nas Olimpíadas de Londres, em 1948, quando só não foi o primeiro brasileiro a trazer medalha no boxe pois que teve o azar de ter de enfrentar, na terceira luta, o futuro campeão mundial Wallace Smith.
Como profissional, teve sua grande oportunidade de projeção internacional ao ser convidado para uma temporada de lutas no centro mundial do boxe da época: o Madison Square Garden, em New York. Infelizmente, teve seu visto de entrada negado pelo consulado americano, devido à sua atuação política de linha socialista.- Luis Inácio, o "Luisão"
talvez, o maior meio-pesado brasileiro de todos os tempos; extremamente popular por seu carisma, suas entrevistas folclóricas, sua velocidade e poder de punch; foi o primeiro brasileiro a conquistar medalha de ouro nos Jogos Panamericanos ( México 1955 ); como profissional, chegou a campeão sul-americano dos meio-pesados, tendo feito inúmeras lutas internacionais, inclusive com o legendário Archie Moore; sua popularidade acabou sendo sua tragédia: ao subestimar o famoso campeão chileno Humberto Loayza, numa troca de golpes, acabou sofrendo um violento nocaute; como era bilheteria certa, os empresários nem lhe deixaram descansar, continuaram a lhe promover lutas, as quais só agravaram a lesão que havia sofrido; o resultado foi o esperado: Luisão acabou "sonado" ( ficou extremamente sensível a qualquer golpe na cabeça e a exibir sintomas da chamada "demência pugilística" ) passando a ser derrotado por qualquer um, inclusive em brigas de rua com marginais; acabou morrendo como indigente e se tornando mais uma triste lição para o boxe profissional brasileiro.- Paulo de Jesus Cavalheiro
Peso meio-médio, atuando profissionalmente entre 55 e 58. Extremamente carismático, só perderia em popularidade para o Zumbanão. Já era tratado como ídolo nos seus tempos de amador. Tinha grave problema cardíaco que prejudicava muito sua atuação.
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