Como decorrência da colonização portuguesa, até o início do sec. XX, a prática desportiva era quase totalmente desconhecida no Brasil. Os raros esportistas limitavam-se a membros das comunidades de emigrantes alemães e italianos, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Foi só com eles que foi introduzida, entre nós, a idéia de competição esportiva entre dois homens ou entre equipes, principalmente em modalidades como canoagem e natação.
Além dessa falta de tradição esportiva, outra característica desfavorecia a introdução do boxe no Brasil: até o início do século XX, o único tipo de luta que se conhecia aqui era a capoeira e, na época, capoeira era considerada coisa de marginal, de gente que brigava com a polícia. Esse preconceito era especialmente forte entre os membros da elite dirigente do país.
Não menos importante é o fato de que, desde a metade do século XIX, o centro das atividades pugilísticas saira da Inglaterra e fora para os USA. Ora, até boa parte do século XX, o grosso das informações internacionais que chegavam ao Brasil vinham da Europa, principalmente da França. Não tinhamos interesse por acontecimentos ocorridos nos USA.
Mesmo com a popularização de meios de comunicação mais modernos, no início do século XX, como é o caso do cinema, a penetração do boxe no Brasil continuou difícil. Nisso teve importante papel o fato de que, em 1908, o boxeador negro Jack Johnson conquistou o cinturão de campeão mundial dos pesados e muito humilhou os brancos que passaram a desafiá-lo. Como o racismo era muito forte nos USA, os brancos conseguiram a proibição de se passar fitas ou noticiários com lutas de boxe nos cinemas americanos. Essa situação durou até 1915, quando o gigante branco Jess Wilard conseguiu afinal derrotar Johnson. A partir daí, gradativamente, os filmes de boxe começaram a passar nos cinemas americanos. Contudo, esses filmes ainda levaram alguns anos até chegarem ao Brasil.
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